Menu Fechar

Biografia

Isabelinha cresceu junto à praia, longe da melancólica luz do Fado. Na adolescência, praticava surf e ouvia reggae, pelo que as apostas diriam que poderia vir a navegar em muitas direcções, mas não nas águas da canção das vielas de Lisboa.

A música, porém, estava sempre à sua volta. No ballet clássico, que praticou até aos 17 anos, ou na casa materna. Aí, todos os dias se ouvia jazz, blues, bossa nova, música erudita… e fado. Neste ambiente eclético, o Fado ocupava um lugar especial. Era como que o bairro imaterial habitado por toda a família: pais, avós, tios-avós, amigos de longa data. Em cada casa, de cada um deles, o código postal era o Fado.

Pelas vozes da Mãe e da Tia-Avó – também elas, ambas, Isabéis – sempre acompanhadas por um qualquer ilustre guitarrista de ocasião, teve o primeiro contacto com os mestres do Fado: Fernanda Maria, João Ferreira Rosa, Carlos Ramos, Amália, Maria Teresa de Noronha, Teresa Tarouca, Beatriz da Conceição… Habituou-se a ouvi-los, a aprendê-los, a intui-los – sem saber então que, um dia, seriam não só a banda sonora da sua infância e adolescência, mas as grandes influências no seu próprio trajecto pelo Fado.

A forma como lá chegaria, no entanto, não seria óbvia nem directa.

Multifacetada e curiosa por natureza, Isabel é também, desde criança, apaixonada pela equitação. Começou a montar aos 5 anos, frequentou diferentes escolas e tornou-se, assim que a idade e os pais o permitiram, frequentadora assídua da Feira da Golegã. E foi aí, aos 19 anos, que pela primeira vez se aventurou a cantar a canção da família, daquela dinastia de Isabéis, das vielas de Lisboa, de todo um país, de todo o mundo.

Não mais pararia.

A partir daquele dia, enquanto os amigos saíam à noite para os bares habituais, Isabel começava a optar pelas casas de fado. Primeiro, apenas como espectadora. Depois, a pouco e pouco, como intérprete.

Alguns diriam que tinha ido contra todas as apostas; outros que nada faria mais sentido (“Ninguém foge, por mais forte / Ao destino que Deus dá”).

Há 10 anos que canta no Clube de Fado, em Lisboa. Vai criando a sua identidade fadista, a partir do enorme património genético e colectivo que herdou. Habita, cada vez com mais à-vontade, o lado autêntico do Fado. Apropria-se e liberta-se para servir cada poema e cada melodia com a sua própria emoção, ainda que possa, por vezes, aventurar-se nas cordas de outras guitarras. Se o Fado é mesmo o que se diz, ele cumpriu-se abrindo-lhe outros cais de abrigo para a sua paixão de cantar. Há um ano, o destino trouxe-lhe as letras e músicas do jornalista e escritor Rodrigo Guedes de Carvalho, com quem partilha o projecto “Xave”.